terça-feira, 29 de novembro de 2011

Posted by Basso novembro 29, 2011 in
Hoje, contaremos a história nada feliz da leitora Adriana*. Em seus 15 aninhos, nem mesmo os pais a aceitavam com seus 180 quilos. 

"Era ridículo viver dentro da minha casa. Minha irmã sempre foi magrinha, com peitão, bundão e cabelo longo. Aquele tipo de menina bonita mesmo. Já eu, nem me lembro de ter menos de 180 quilos.
Bom, mas a pior situação que já passei mesmo foi quando minha irmã resolveu se casar. O marido dela não era tão bonito, mas tinha dinheiro demais. Planejaram um casamentão, super lindo, cheio de frescura e coisas caras. E como todo mundo imagina: sim, eu fui chamada pra ser uma das madrinhas. Mas, como entrar num vestido de renda delicada em menos de um ano? Daí começou minha jornada. Meus pais compravam coisas light, diet, sem açúcar, nada de sal, verduras de mil tipos, e eu sendo obrigada a comer tudo isso. Como se estivesse espelhando o sonho de casamento perfeito da minha irmã. Passado meio ano, eu tinha perdido quase 5 quilos. Nada mal. Mas, super mal pra quem precisava parecer esguia e elegante num vestido minúsculo. O ano terminou, e o mês de Maio chegou como um sopro. Fomos experimentar o vestido e nada do maldito entrar. A costureira daquela loja chique no centro de São Paulo, me olhava feio enquanto fazia ajustes ao vestido. Estranhei o tecido estar cheio de pregas, mas, depois percebi que todos os vestidos haviam sido feitos de acordo com o corpinho da minha irmã. E suas amigas magras e gostosas da faculdade.
O vestido, enfim, entrou! Ufa! Com aquelas marquinhas feias do lado, algumas gordurinhas apertadas, mas entrou.
Uns dias se passaram, e o casamento chegou. Quando entrei no salão, vi as madrinhas fofocando alguma coisa no fundo da igreja: a irmã gordinha da noiva.
Enquanto as idiotas se maquiavam, arrumavam seus cabelos bem cacheados em frente o espelho, eu estava lá. Com meu cabelo bem preso, cheio de glitter e presilhas com strass porque o cabeleireiro disse que "esse penteado emagrece".
Na hora do casamento, meus pais nem olhavam pra mim. Até os lustres da igreja eram mais interessantes que eu. Senti que todo mundo, de alguma forma, comentava do meu vestido. Do meu cabelo. Da minha barriga, do meu culote, da celulite marcada no tecido do vestido...
O casamento passou. Senti uma pontada forte na autoestima, vendo aquele monte de gente bem vestida e perfeita. Mas, passou.
Hoje estou 20 quilos mais magra, e mais feliz. Continuo "gorda", mas feliz. Não permito mais que essa sociedade ridícula me diga como ser."

*Nome fictício.

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